quarta-feira, 30 de abril de 2008
Sopas Campbell
Trecho da aula de hoje ministrada por Claudinei Roberto no ateliê Oço:
- Você não é poeta? O mundo tá aí. Vê.
- Vi uma lata de sopa Campbell.
- Aonde uma lata de sopa Campbell é importante?
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Daí vem o samba de Paulinho da Viola - * As coisas estão no mundo só que eu preciso aprender..*
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Warhol
in memory.
terça-feira, 29 de abril de 2008
A PRESS
domingo, 6 de abril de 2008
O LUGAR ONDE ESTOU

Costumava escrever no papel, rabiscando, apagando, passando por cima, mas aqui acredito que minha vida pode ser facilitada, aqui tem o advento da tecnologia do control alt del.
Escrevi o dia que vivi hoje, o dia em que jovens artistas saíram pela cidade onde todos os dias atravessam, mas nem sempre adentram.
Minha mente está alerta sempre captando, vejo poesia nas pessoas e também rosas no céu.
Que cidade é essa que como diria a banda Sombaguá é "de neuróticos e caóticos, de um povo que não vive sobrevive", que cidade é essa que a garoa fina mobilizou e não impediu a saída de um grupo de jovens artistas do ateliê Oço às rua pelo simples fato de amar.
Mostrar minhas linhas no papel, a foto da escadaria da Vila Itororó, a caminhada dos amigos, o jovem ator de 12 anos ainda não seria suficiente pra compartilhar o que sinto, a dimensão das construções de concreto em minha mente se tornaram alguma outra coisa que ainda não sei direito o que é.

Hoje conheci uma vila de 1922, Vila Itororó. Mais que contar sua história e a luta de seus atuais moradores por se manterem no local quero dizer que a vila faz parte da minha cidade e a cidade faz parte de mim porque não sou ilha. Uma vila é isso , um conjunto residencial, e certamente onde há povoações as idéias fervilham e precisam de uma maneira ou de outra serem expressadas. As maneiras são tantas...


Vila Itororó, igrejas, caminhadas, 360º meu corpo não cansa, a respiração flui quase que tranquilamente. A cidade, ela é importante, ignoro qualquer dor na sola do pé porque o concreto grita mais alto e me leva a 1917 quando os engenheiros londrinos vieram trabalhar na construção da Estação da Luz, uma cidade que eu não conhecia, Vila dos Ingleses.

Caminha, anda fotografa, anda, anda, anda observa, anda desenha, anda anda ama.

Sai da vila, sobe o ponte, o mendigo tá ali também, tá o trabalhador do metro dentro do buracão, tá a moça de mentira vestida de noiva dentro da loja, tão meus passos atentos e felizes chegando ao parque da luz. Tati desenha com linhas precisas e amorosas a arquitetura dessa cidade, essas linhas embolam minha mente e é difícil dominá-las. Então registro um momento romance com a trilha sonora do homem esquisito de preto cantarolando: Esse ar puro, esse oxigênio.
E quem é normal?

O Claudinei tá do meu lado desenhando a Diana e lembro que ele sempre diz, nunca pare de respirar.
A Anne também desenha a pensativa escultura e volta dizendo que viu uma aranha gigante. Uma aranha no meio do parque caçando sua presa.
A gente tava verde, o estômago já produzia iatos indecifráveis.
Indecifrável era a língua falada pelas pessoas no bar e as linhas da torre. PF de cinção, mais traços, idéias, risadas...
Minha cidade tem de tudo um pouco. A cidade me desperta paixões também humanas.
Sinapses aceleradas.

A cidade revela uma vaca pintada na parede, uma santa preta em cima de uma caixa preta escondida no alto de uma esquina suja que fecha a porta de sua casinha depois da terceira foto.
A cidade tem mistérios.
A minha cidade também é sua.
Mais ar.

Quero uma cidade como a roda de Matisse, a alegria de Volpi, quero uma cidade navegável porque preciso conhecer as margens que ainda não fui.
A igreja, o jardim no palácio da polícia, o tempo. Indecifrável tempo insano.

Não queria ir embora, ainda tinha o festival de documentários é tudo verdade e os eventos de qualidade e gratuitos devem ser aproveitados.
No meio do caminho uma manifestação sobre o direito dos animais, um casal, a reforma da avenida, um cachorro, um sinal.
Respirar sempre.
O filme foi “Entre a luz e a sombra”, a cidade tem violência. E isso gera uma série de discussões. Resistir à barbárie com arte.
É sempre assim, as linhas, as palavras e as imagens mexem com meu sono e teimam em fazer parte das 27 horas do meu dia, não reclamo. Amo.
Vai um leite?
Estela Santini
29/03/2008
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